Confira como foi o 1º Festival de Inverno de Avaré – IREE

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Confira como foi o 1º Festival de Inverno de Avaré

Primeiro Festival Inverno de Avaré mostra que é possível um Brasil mais igual e justo para todos

Por Paola Ligasacchi, do Instituto Fome Zero (IFZ)

A parceria entre o Projeto Cordão, que desenvolve atividades de apoio à educação e o IREE, o Instituto de Relações entre Estado e Empresa, que também é parceiro do Instituto Fome Zero, possibilitou a realização do Primeiro Festival de Inverno de Avaré, no interior de São Paulo, no último final de semana de julho de 2022.

Em um espaço acolhedor ao ar livre, ao lado de um projeto de agroecologia voltado para hortas comunitárias, o compositor e violonista João Camarero, o arranjador Juca Novaes, o Grupo Regional Jangada e a Banda Cordão Pixinguinha garantiram a música de qualidade. No mesmo cenário aconteceu uma tarde de autógrafos da editora Contracorrente e autores e livros proporcionaram, aos presentes, a interação de ideias e reflexões; em suma, um festival de inverno inclusivo que conseguiu integrar as diversas áreas da cultura e do pensamento político.

Poesia, literatura, cinema e jornalismo, pensar o bicentenário da independência do Brasil foram temáticas tão importantes quanto compreender a urgência da sustentabilidade das florestas e a segurança alimentar das populações das cidades, dos povos indígenas e quilombolas.

A pesquisadora e chef Bel Coelho falou sobre a importância de descobrir e valorizar os produtos nativos brasileiros ao ilustrar com sabores e cores o Festival de Inverno de Avaré.

O consagrado correspondente internacional Jamil Chade lançou o livro “Luto, reflexões sobre a reinvenção do futuro” e participou de um debate com o jurista Walfrido Warde, presidente do IREE, para falar como a manipulação e a divulgação de informações falsas e incorretas são uma estratégia que ameaça a democracia e o estado de Direito, que pareciam estar consagradas. O autor sugere que o Direito não pode continuar a ser privilégio de parte das autarquias do Estado pois uma cultura ou uma civilização não se estabelece autonomamente; ela é sempre resultado de um processo histórico.

Para pensar o Brasil depois de 200 anos de independência, o analista político Fernando Barros e Silva e o historiador e jurista Silvio Almeida concordaram que o Brasil é produto do Ocidente moderno e tem uma mesma gramatica social quanto à maneira como a sua sociedade compreende a própria condição histórica e escravista, contingência que determinou o racismo presente, até hoje, entre nós. Condição urgente que ainda precisa ser superada.

Premiada documentarista, a cineasta Maria Augusta Ramos ilustrou a noite do festival ao contar ao público presente como a escolha dos ângulos e das sequências de suas imagens definiram as edições de dois dos mais recentes filmes dela: “Justiça“e “Amigo Secreto”. Os documentários conseguem mostrar a reprodução dos privilégios injustos no tempo porque dependem da violência simbólica perpetrada com o convencimento mudo dos excluídos de tais privilégios.

Depois de tantas reflexões fica a certeza que é preciso compreender para poder denunciar os mecanismos que reproduzem as escandalosas desigualdades. Situação que, até hoje, impede de fato, o cumprimento dos direitos à igualdade, previstos na Constituição de 88.

O Primeiro Festival de inverno de Avaré consagra uma esperança: o Brasil democrático, reflexivo, sustentável, justo, fraterno, orgulhoso de levar em consideração e respeitar o outro ser humano é possível.

É preciso estar disposto a criar novas narrativas para poder desconstruir as falsas certezas e encarar o que precisa ser enfrentado e transformado.

Mãos à obra!



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