Como a Inteligência Artificial virou arma de guerra? – IREE

Análises e Editorial

Como a Inteligência Artificial virou arma de guerra?

18 de março de 2026

Na guerra contra o Irã, a Inteligência Artificial (IA) se consolidou como um fator decisivo no campo de batalha. Integrada a tecnologias já estabelecidas, como drones e ciberataques, ela deixou de ser apenas mais uma ferramenta para se tornar o elemento estruturante das operações militares. Seu uso redefiniu a forma como ações foram planejadas, executadas e comunicadas.

Um dos principais impactos dessa mudança é a aceleração do ritmo da guerra. Decisões e ataques que antes levavam dias ou semanas agora são realizados em questão de horas, com a mediação de sistemas automatizados. O uso da IA se desdobra em diferentes frentes: no processamento e análise de grandes volumes de dados militares, no apoio à avaliação de riscos e definição de estratégias, em monitoramento e vigilância, e na identificação e priorização de alvos em larga escala. Além das operações militares, a IA também tem sido aplicada para a produção e disseminação de conteúdos falsos, como deepfakes, e de materiais propagandísticos, com o objetivo de influenciar a opinião pública.

 

 

Na guerra contra o Irã, Estados Unidos e Israel se destacam pelo uso mais avançado da IA, contando com alguns dos sistemas mais sofisticados do mundo. O sistema Maven, dos Estados Unidos, combinado com o Claude, é utilizado para cruzar imagens de satélite, sinais e dados de vigilância e gerar listas com coordenadas e sugestões de ataque. Já o sistema Lavender, de Israel, identifica e classifica indivíduos como alvos potenciais, com alto grau de precisão. Outro exemplo é o sistema Gospel, também israelense, que gera listas de alvos de infraestrutura. No caso do Irã, o uso da IA aparece de forma mais concentrada na produção de conteúdo e na disputa por narrativa do que em sistemas militares diretamente aplicados ao campo de batalha.

Os resultados são expressivos. Nas primeiras 12 horas, Estados Unidos e Israel realizaram quase 900 ataques no Irã, o que antes demandaria dias ou semanas de planejamento humano. Sistemas de IA permitiram gerar cerca de 1.000 alvos priorizados em um único dia, tornando possível planejar operações da magnitude da Guerra do Iraque (2003–2011) com apenas um décimo da mão de obra necessária anteriormente.

Já na guerra da informação, imagens falsas de ataques circulam amplamente, incluindo fotos manipuladas e até cenas de videogame apresentadas como reais. Estados Unidos e Irã utilizaram a tecnologia para criar animações que reforçam suas narrativas. Ao mesmo tempo, deepfakes e contas falsas passam a integrar operações coordenadas para influenciar a opinião pública, sem que seja possível atribuir sua autoria.

Esse cenário traz riscos significativos. Um deles é a chamada automação por consentimento, em que operadores humanos têm poucos segundos para decidir e acabam apenas validando decisões sugeridas por sistemas. Há também o risco de erros de identificação, com algoritmos confundindo padrões e classificando civis como ameaças. Além disso, vieses nos dados e possíveis interferências externas podem distorcer decisões. Em contextos letais, esses problemas deixam de ser apenas falhas técnicas e tornam-se tragédias humanas.



Por IREE

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