Com trabalho aquecido e inflação no limite, Brasil encerra 2025 buscando ajuste fiscal – IREE

Análises e Editorial

Com trabalho aquecido e inflação no limite, Brasil encerra 2025 buscando ajuste fiscal

28 de novembro de 2025

A economia brasileira caminha para o último mês de 2025 com mercado de trabalho forte, apesar dos juros altos, e com perspectivas de fechar o ano com inflação no limite da meta e cumprimento da regra fiscal, mesmo com o crescimento da dívida dos governos.

O mercado de trabalho brasileiro segue aquecido, com desemprego no menor nível da história, embora os juros altos já tenham freado a criação de postos formais em outubro. A taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, segundo a PNAD Contínua divulgada no dia 28 de novembro, marcando também o menor contingente de desocupados: 5,9 milhões de pessoas. O cenário inclui ainda outros recordes: 39,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, renda média de R$ 3.528 e massa de rendimentos de R$ 357,3 bilhões.

De acordo com o Caged, 85,1 mil vagas com carteira assinada foram criadas no Brasil em outubro, 35% a menos do que no mesmo período em 2024. Nos primeiros dez meses de 2025, foram abertas 1,8 milhão de vagas, queda de 15,3% ante 2024. Segundo o Ministério do Trabalho, a desaceleração é impacto da política de juros altos. Apenas dois setores tiveram aumento de empregos formais em outubro: serviços (+82.436 postos) e comércio (+25.592 postos).

 

 

Do lado fiscal, o governo central — que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central e exclui despesas com a dívida pública — registrou superávit primário de R$ 36,5 bilhões em outubro, resultado do avanço de 4,5% na receita líquida, impulsionada por arrecadação recorde e pela alta do IOF. As despesas, porém, subiram 9,2%, puxadas pelo aumento dos gastos discricionários, como o pagamento de emendas na área de saúde.

Em 2025, o déficit acumulado é de R$ 63,74 bilhões, mas a Fazenda projeta cumprir a meta de déficit zero no ano, que admite até R$ 31 bilhões no negativo. O resultado exclui R$ 44,4 bilhões em despesas fora do cálculo primário, como parte dos precatórios, ressarcimentos do INSS e gastos estratégicos da Defesa, autorizados pelo STF ou pelo Congresso. Considerando esses itens, a projeção é encerrar o ano com déficit de R$ 75,7 bilhões.

Já a dívida bruta do governo geral — que inclui União, INSS e estados e municípios — alcançou R$ 9,856 trilhões, ou 78,6% do PIB, acima dos 78,1% registrados em setembro. Segundo o Banco Central, a alta no mês foi decorrente de 2 fatores: gastos com juros da dívida (0,9 p.p.); crescimento do PIB nominal (-0,3 p.p.). A equipe econômica projeta que ela chegue a 79% do PIB no fim do ano.

Apesar do avanço da dívida pública e do crescimento da renda da população, que aquecem a economia, as projeções apontam que a inflação deve encerrar o ano dentro da meta. O IPCA-15 subiu 0,20% em novembro e voltou a ficar abaixo do teto definido pelo Banco Central, acumulando alta de 4,50% em 12 meses.

Nota de crédito e investimento estrangeiro

A Moody’s informou no dia 26 de novembro que manteve a nota de crédito do Brasil em Ba1, com perspectiva estável — a um passo do grau de investimento. A agência destacou que o país tem economia diversificada e pouco exposta a choques externos, mas enfrenta limites impostos pelos altos juros, pela rigidez dos gastos e pelo avanço da dívida.

Mesmo sem alcançar o grau de investimento, o Brasil recebeu US$ 74,3 bilhões em investimento estrangeiro direto até outubro, superando todo o volume de 2024. Apenas em outubro, entraram US$ 10,9 bilhões, alta de 64% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de 12 meses, o total chegou a US$ 80,1 bilhões, avanço de 9,8% sobre o período anterior. Desde 1995, esse patamar anual só foi ultrapassado em 2010, 2011, 2012 e 2014.



Por Samantha Maia

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