Clima e eleições 2022: o que pensam os cidadãos da Amazônia legal – IREE

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Clima e eleições 2022: o que pensam os cidadãos da Amazônia legal

Carolina de Paula

Carolina de Paula
Cientista Política



A temática do clima e meio ambiente ganhou centralidade fundamental, e necessária, nos últimos anos. Contudo, quando se trata de discutir o assunto no contexto eleitoral, os avanços no Brasil parecem tímidos. Seja pelo ângulo dos candidatos, seja pelo interesse do eleitor. No que tange ao eleitorado da chamada “Amazônia Legal”, a pesquisa qualitativa “Clima, Meio Ambiente e Eleições 2022” apresentou considerações preocupantes para os candidatos interessados nessa agenda. Os 18 grupos focais foram realizados em nove estados (Amazonas, Pará, Tocantins, Roraima, Maranhão, Mato Grosso, Acre, Rondônia e Amapá), com moradores das capitais dos estados da Amazônia Legal, com segmentação no que diz respeito a idade, jovens e adultos, sendo todos os participantes da classe C.

Apesar de residentes da região Amazônia Legal, a temática ambiental não emerge espontaneamente nas discussões sobre os temas prioritários do pleito de 2022. O que é totalmente compreensível na racionalidade do eleitor, já que o país atravessa uma grave crise econômica e as preocupações com a melhora da economia, em particular o desemprego e a inflação, são urgentes.

Quando a discussão é estimulada pela moderadora, o tema ainda é visto como secundário frente aos problemas locais das cidades que residem: saúde e infraestrutura (saneamento básico e asfalto) despontam como as necessidades do público entrevistado. Entretanto, a pesquisa revela que “problemas ambientais concretos”, na definição dos eleitores, como as queimadas, o aumento da temperatura e as fortes chuvas que assolam a região, por exemplo, entram na lista das preocupações dos amazônidas.

As percepções dos entrevistados são de que os políticos não falam desses assuntos, nem durante e nem depois das eleições, o que tornaria muito complicado observar uma “luz no fim do túnel”.

Um dos desafios identificados pela pesquisa é fazer com que a comunicação política de candidatos interessados em promover a agenda do clima e meio ambiente em 2022 mostre ao eleitor que tais “assuntos concretos” que os preocupam urgem de políticas públicas eficientes e de uma pauta legislativa atenta ao tema.

Outra conclusão da pesquisa é a necessidade de que os agentes políticos interessados no assunto deem um passo atrás: ou seja, mostrem ao eleitorado que os problemas do clima e meio ambiente fazem parte do universo da política e, logo, da agenda de campanha, o que não é óbvio para os participantes da pesquisa.

O desinteresse pelo trabalho dos deputados federais é algo crescente e infelizmente não é um problema exclusivo do Brasil. Sabemos que os desafios para motivar o eleitorado para a agenda ambiental em 2022 precisará ainda superar esse desafio na largada. Porém, há espaços e formas de chamar a atenção do eleitorado se os candidatos procurarem efetuar diálogos com temas concretos que afetam o seu dia a dia, como as queimadas e as enchentes. Desse modo, proposta e soluções plausíveis certamente poderão romper a apatia dos cidadãos pelo trabalho que será efetuado pelos parlamentares da próxima legislatura.



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Carolina de Paula

É doutora em Ciência Política pelo IESP/UERJ, Diretora Executiva do DataIESP e consultora da UNESCO. Coordenou o "Iesp nas Eleições", plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em diversas campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Escreve mensalmente para o IREE.

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