Cinturão e Rota: Entenda a iniciativa chinesa de integração global – IREE

Análises e Editorial

Cinturão e Rota: Entenda a iniciativa chinesa de integração global

14 de agosto de 2024

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

A China lançou a Iniciativa Cinturão e Rota em 2013, apresentada pelo presidente Xi Jinping como a construção de uma nova Rota da Seda, a antiga via de comércio e intercâmbio cultural que existiu entre a Ásia e a Europa. A iniciativa começou focada em países da Ásia Central, mas evoluiu para um grande programa de investimento, conectividade e cooperação internacional abrangendo 148 países em todo o mundo. Em 10 anos, foram investidos mais de US$ 1 trilhão em projetos de infraestrutura.

Na época de seu anúncio, o Cinturão e Rota refletia as necessidade da economia interna de uma China em fase mais recente da globalização. O objetivo principal era exportar o excedente de produção chinesa e apoiar seus principais setores econômicos. À medida que a economia da China e suas prioridades mudaram, o Cinturão e Rota também sofreu transformações, como a adoção de políticas setoriais mais alinhadas ao mercado interno de tecnologias de ponta. Além do crédito para megaprojetos, surgem operações de pequena escala voltadas, entre outras coisas, à inovação e ao financiamento verde.

A questão ambiental ganhou relevância dentro da iniciativa ao longo de sua existência, refletindo o movimento global de combate às mudanças climáticas. Diversas políticas e regras voltadas à governança ambiental têm sido implementadas no âmbito do Cinturão e Rota, mas existem limitações da aplicação dessa estratégia fora da China.

Parceiros

‌Na África, os projetos de infraestrutura são o principal foco da Iniciativa Cinturão e Rota, em áreas como transporte, energia e comunicações. Transição energética e produção de bens de valor agregado também fazem parte dos interesses africanos nessa parceria.

Já na América Latina, a China tem forte atuação no fornecimento de soluções em energia renovável e na eletrificação do transporte. As atividades chinesas na região, no entanto, ainda são mais voltadas para mineração e produção de soja e de outros produtos agrícolas em larga escala.

No caso brasileiro, apesar da relação entre os dois países ter se fortalecido nas últimas duas décadas, o Brasil até agora não se envolveu oficialmente na iniciativa. Em defesa de seu projeto, a China destaca benefícios na ampliação do comércio, da cooperação tecnológica e do desenvolvimento sustentável, mas o Brasil ainda quer alinhar melhor as propostas em busca de vantagens mais claras para os dois lados.



Por Samantha Maia

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