Brics+ e as novas perspectivas de um bloco em crescimento – IREE

Análises e Editorial

Brics+ e as novas perspectivas de um bloco em crescimento

25 de outubro de 2024

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

Entre os dias 22 e 24 de outubro, aconteceu a 16ª Cúpula do BRICS+, em Kazan, na Rússia, com o tema “Fortalecendo o multilateralismo para o desenvolvimento e a segurança globais justos”.

Esta foi a primeira cúpula do Brics+, com os novos membros Etiópia, Egito, Emirados Árabes Unidos e Irã – além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O bloco passará por uma nova expansão, dessa vez com a categoria de parceiros, sem direito a voto.

Ampliação do Brics

Cerca de 30 países manifestaram interesse em integrar o bloco na condição de parceiros e 13 países foram aprovados: Turquia, Indonésia, Bielorrússia, Cuba, Bolívia, Malásia, Uzbequistão, Cazaquistão, Tailândia, Vietnã, Nigéria, Uganda e Argélia. Venezuela e Nicarágua foram vetados por pressão política do Brasil.

O BRICS foi formado em 2009 por países de economia emergente para tratar de cooperação econômica em contraponto ao G7, grupo dos países mais ricos do mundo. A ampliação do bloco é vista como um fortalecimento da influência da China, que passou por intenso crescimento econômico desde 2009 e se consolidou como potência mundial.

Destaques da Declaração de Kazan

Governança global: Reforça a necessidade de reforma de organismos internacionais como o Conselho de Segurança da ONU e o FMI para ampliar a voz de países menos desenvolvidos.

Ordem mundial: Projeta a construção de uma nova ordem multipolar, baseada em “vários centros de poder” para expandir oportunidades de países emergentes.

Moeda comum: Reitera compromisso de aprimorar a cooperação financeira dentro do bloco e incentiva o uso de moedas locais nas transações entre os países membros e parceiros comerciais.

Conflitos mundiais: Apoia o diálogo aprimorado do BRICS sobre questões políticas e de segurança e reitera compromisso com a solução pacífica de controvérsias por meio da diplomacia.

Sanções econômicas: Critica as sanções econômicas unilaterais impostas sobretudo pelos EUA por afetarem negativamente o comércio, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos.

Posição do Brasil

Em participação remota, o presidente Lula destacou a necessidade de critérios claros para a entrada de novos países no BRICS, destacou o papel do bloco no combate às mudanças climáticas e defendeu a taxação dos super-ricos.

Presidência da Rússia

Como anfitrião da 16ª Cúpula do BRICS+, Vladimir Putin teve a oportunidade de mostrar que a Rússia não está isolada, apesar do contexto de guerra com a Ucrânia, e reforçar sua posição na geopolítica mundial. A Rússia demonstrou apoio à recondução de Dilma Rousseff ao comando do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB).



Por Samantha Maia

Leia também