4 de março de 2026
Para escrever estas bem-traçadas, sempre começo a busca pelos assuntos a serem abordados por um nome: Biroliro. Perdão, Bolsonaro. Afinal, o maior assassino de nossa história sempre será um tema importante. Mas o país não tem tido muito contato com ele, anda sumido, então ficamos com seu amado filho 01.
Flavio Bolsonaro… Em qualquer outro lugar do mundo, sua missão seria impossível. Disputa contra um presidente que tem os melhores números da história, em desemprego, inflação, produtividade… Ele, por sua vez, tem a família metida em negócios escusos, lojas de chocolate superprodutivas, dezenas de imóveis comprados em dinheiro vivo, mansão comprada com honorários de causas que ninguém conhece, apoio a milicianos, apoio a golpe de estado com possibilidade de assassinatos, nem dá para listar tudo.
Ele cresce nas pesquisas.
Essa mistura de grande imprensa com algoritmo de redes sociais é um espetáculo. Hoje mesmo vi um cidadão sendo entrevistado na micomanifestação da direita. Ele dizia que tinha que acabar com isso que está aí. O entrevistador perguntou o que ele fazia, era um pequeno empresário, tinha acabado de contratar 5 funcionários, o negócio estava crescendo (por favor, sem quinta série!), e claramente se espantou quando perguntado: ué, mas não melhorou pra você? Infelizmente esse átimo de reflexão não foi suficiente para ele abandonar a própria burrice, seguiu zurrando e balançando o auriverde pendão de nossa terra.
Tem mais: Lula é homenageado por uma escola de samba, vai à avenida, assiste ao desfile calado, e é acusado de pré-campanha. TODOS os outros candidatos fazem campanha escancarada, e quem cai nas pesquisas é Lula.
Viva o algoritmo! Viva os jornalões!
E na nossa amada vizinha Argentina, Milei, certamente aconselhado pelo espírito de seu falecido cachorro, a quem dizia consultar, acaba com os direitos trabalhistas. Uma terra arrasada, e nossa direita só observa, babando de inveja. Para completar o trio – com ele e os Bolsonaro – só faltava nosso querido Trump. Vamos a ele, pois.
Encrencado com os arquivos Epstein, tomou uma decisão bastante equilibrada para sair do foco: matar gente. Mas precisamos de um parêntese: NINGUÉM, em são consciência, gostava do Khamenei. Representava o que havia de retrógrado no mundo. Mas a gente não pode sair matando quem não gosta… O dono da Arábia Saudita também não é flor que se cheire, nem por isso vão sair matando o rapaz.
-Ah, mas é para um bem maior!
-Amiguinho, existe a famosa pergunta: você, podendo, mataria o bebê Hitler? Se sim, você não fez nenhum bem à humanidade. Você é apenas mais um assassino de crianças. E, claro, se juntaria ao citado e a Netanyahu, que mata crianças palestinas com gosto.
-Ah, então você é antissemita?
-Amiguinho, de novo? Se um alemão da década de 30 se recusou a apoiar Hitler, ele foi antigermânico? Não, ele é apenas uma pessoa civilizada, como será qualquer judeu ou gentio que reaja a esse criminoso! A carta do Holocausto não serve para justificar esse genocídio.
Mas, voltando, o mundo está nessa situação: o maior escândalo de pedofilia da história é encoberto, primeiro, pela tinta preta do FBI, que apaga os nomes dos suspeitos – e desconfio que não foi o Kash Patel quem riscou os nomes, com aquele olho um-no-gato-outro-no-peixe ele não ia conseguir riscar certinho (sempre que vejo o sobrenome Patel, bastante comum na índia, fico pensando se não existe uma Sara Patel. Ok, desculpem), e em seguida, por uma guerra. Bilhões de dólares, vidas humanas, tanto americanas e israelenses quanto iranianas e árabes, tudo isso para encobrir os gostos depravados da elite mundial.
-Ah, quer dizer que você defende a ditadura iraniana?
-Olha, amiguinho, vá pra p… Ok, adeus, não me enche mais o saco. Analfabetismo funcional é complicado demais.
No metrô sentei-me ao lado do cientista Albert Sabin, criador de uma vacina contra a poliomielite. Como sempre o admirei, fiquei puxando conversa, e perguntei se era verdade que ele tinha inventado o Engov. Desconversou, e acabei falando na polilaminina. Ele se entusiasmou, disse que estava muito esperançoso, mas, cientista, disse que preferia esperar por mais testes, não sabia se estes estavam sendo feitos com o rigor necessário, dada a exposição que a nova droga recebeu. Afinal, devia ser muito doloroso para um cientista dar a um paraplégico uma dose de placebo! E completou:
-Acho que é questão de tempo essa vacina dar resultado. Mas acho difícil inventarem uma contra a burrice.
-E se inventarem eles vão dizer que a pessoa vai virar jacaré…
-Melhor. Qualquer jacaré é mais inteligente que eles.
P.S.: Sempre escrevo minha coluna em um dia e envio no outro, para dar tempo de reler e fazer alterações. Esta, como sempre, estava perfeita, irretocável, mas tive que fazer este adendo por conta do que aconteceu no almoço.
Fui comer num bar/restaurante aqui perto, e na mesa ao lado dois idiotas falavam alto – idiotas SEMPRE falam alto. Estavam comentando o estupro que a menina de 17 anos sofreu em Copacabana, por 5 criminosos. Sua ponderação era a seguinte: ora, se ela entra numa casa com 5 homens e vai para o quarto transar, é porque está querendo. Não resisti e me intrometi:
-Querendo o quê, exatamente?
-Ora, queria bagunça, e depois se arrependeu.
-Entendi. Uma menina não pode transar num quarto numa casa onde haja outros homens?
-Ela provocou…
-Então, se fossem vocês do lado de fora, a teriam estuprado também?
Sou grande, mas sou frouxo. Eram dois, igualmente grandes e aparentemente não frouxos. Fingi coragem, e o dono do bar veio contemporizar, me salvando. Calei minha boca, mas recebi a aprovação silenciosa da moça da mesa ao lado.
E tenho certeza de que sei em quem eles votaram.
Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.
Ricardo Dias
Tem formação de Violonista Clássico e é luthier há mais de 30 anos, além de ser escritor, compositor e músico. É moderador do maior fórum de violão clássico em língua portuguesa (violao.org), um dos maiores do mundo no tema e também autor do livro “Sérgio Abreu – uma biografia”.
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