Asean no centro do multilateralismo global – IREE

Análises e Editorial

Asean no centro do multilateralismo global

27 de outubro de 2025

A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), formada por Brunei, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã, foi criada com o objetivo de promover o desenvolvimento de seus países membros e garantir a paz e a estabilidade na região. Em meio à escalada tarifária dos Estados Unidos, a cúpula regional do bloco, realizada entre os dias 26 e 28 de outubro, na Malásia, destacou-se como um dos eventos diplomáticos e econômicos mais relevantes do ano, reunindo um número inédito de líderes mundiais.

Foi durante a cúpula, no domingo, 26 de outubro, que os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, Lula da Silva e Donald Trump, finalmente se reuniram para tratar do tarifaço sobre as exportações brasileiras, em um encontro que vinha sendo articulado há meses. Na conversa de 50 minutos, Lula disse que não há razão para desavenças com os Estados Unidos e pediu a Trump a suspensão das tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, enquanto os dois países estiverem em negociação. O presidente Trump declarou que dará instruções a sua equipe para que comece a negociação bilateral.

No mesmo dia, também se reuniram, na Malásia, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em continuidade às negociações por um acordo tarifário entre os dois países. Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, devem se encontrar na quinta-feira, 30 de outubro, na Coreia do Sul.

Brasil e ASEAN

Para o Brasil, é interessante abrir portas para investimentos e fortalecer o comércio exterior com países do Sudeste Asiático. Atualmente, a ASEAN é a quinta maior economia do mundo, com PIB de US$ 4,1 trilhões em 2024 e uma população de 680 milhões de habitantes. Os países do bloco apresentam forte dinamismo econômico, com projeções de crescimento de 4,2% em 2025 e 4,1% em 2026, respondendo por cerca de 10% do avanço da economia global.

Os principais resultados da viagem oficial do presidente brasileiro à região incluíram a celebração de oito acordos e parcerias com a Indonésia em áreas como agricultura e pecuária, ciência e tecnologia, e energia e recursos minerais; a assinatura de sete instrumentos de cooperação com a Malásia, incluindo memorandos sobre semicondutores, pesquisa espacial e agricultura sustentável, além da abertura de seis novos mercados para produtos brasileiros; com o Vietnã, Lula reafirmou a meta de alcançar 15 bilhões de dólares em trocas comerciais até 2030; e com Singapura, discutiram-se parcerias em inovação, economia verde e mineração.



Por Samantha Maia

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