30 de abril de 2025
Por Samantha Maia e Juliana Pithon
Na última década, o mercado de trabalho brasileiro passou por profundas mudanças relacionadas a transformações na economia, como o advento dos aplicativos, e na legislação, como a reforma trabalhista de 2017, que flexibilizou regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Apesar de um dos principais argumentos em defesa dessa reforma ter sido o potencial de incentivo à abertura de vagas, o fator determinante para a geração de empregos é o crescimento econômico.
Se observarmos a evolução do nível de ocupação e de taxa de desemprego desde 2012, período da série histórica do IBGE, é possível ver a correlação com as oscilações do PIB. Quando o PIB cresceu 1,9% em 2012, o nível de ocupação era de 58,1% e a taxa de desemprego estava em 7,4%. Já em 2016, quando o PIB caiu 3,3%, a ocupação recuou para 55,7% e o desemprego subiu para 11,7%. A taxa de desocupação só volta a cair de forma mais consistente a partir de 2022, chegando a 7,8% em 2023, quando a economia começava a se recuperar do impacto da pandemia.
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Mudança nos vínculos de trabalho e setores
A publicação do IBGE “Síntese de Indicadores Sociais – Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira”, de 2024, destaca algumas mudanças importantes no perfil dos trabalhadores no país. Por exemplo, de 2012 a 2023, a participação dos empregados com vínculo de trabalho na estrutura do emprego nacional caiu de 50,8% para 47,9%, sendo que a queda mais significativa ocorreu entre 2014 e 2019. Já os empregados sem vínculo de trabalho ganharam espaço, passando de 42,2% em 2012 para 46,4% em 2023. No mesmo período, o setor que teve maior aumento de emprego foi o de serviços, enquanto agropecuária e indústria apresentaram queda do número de empregados.
Situação da juventude
Os jovens, que representavam cerca de 1/3 das pessoas ocupadas em 2012, perderam participação ao longo dos anos, com destaque para o ponto mínimo em 2020 (26,1%) em decorrência da pandemia. Nos anos seguintes, houve uma lenta recuperação e os jovens chegaram em 2023 a representar 27,0% das pessoas ocupadas no mercado de trabalho brasileiro. Já as pessoas de 50 a 59 anos e 60 anos ou mais aumentaram sua participação entre 2012 e 2023, passando de 16,7% para 23,5% dos ocupados.
Em 2023, 21,2% dos jovens de 15 a 29 anos de idade não trabalhavam nem estudavam. Apesar dessa ser a menor taxa da série histórica iniciada em 2012, ainda representava 10,3 milhões de pessoas. Esse grupo é o mais vulnerável aos períodos de crise econômica, além de enfrentar maior dificuldade de ingresso e de estabilidade no mercado de trabalho. Esse cenário faz com que muitos jovens vejam a CLT atualmente como um símbolo de pobreza e algo a se evitar.
Evolução da renda e desigualdades
O rendimento médio real habitual da população ocupada passou de R$ 2.718, em 2012, para R$ 2.890 em 2023, valor pouco maior que dois salários mínimos. Apenas três grupos não tiveram aumento no rendimento no período (Comércio e reparação; Transporte, armazenagem e correio; e Alojamento e alimentação).
Apesar da melhora, o baixo valor do rendimento médio mostra que a desigualdade persiste no mercado de trabalho brasileiro. Segundo o Dieese, o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas em 2023 era de R$ 6.528,93. Serviços domésticos tiveram rendimento médio ainda mais baixo, de R$1.143 em 2023, equivalente a 39,6% da média total, enquanto o setor de Informação, atividades financeiras e outras atividades profissionais registrou valor (R$ 4.227) consideravelmente acima da média no ano.
A despeito das mudanças proporcionadas pelas novas tecnologias, as desigualdades relacionadas a gênero e raça têm persistido no mercado de trabalho brasileiro. Em 2023, a população branca ganhava, em média, 69,9% mais do que a população preta ou parda. Já os homens ganhavam 26,4% a mais do que as mulheres. A taxa de informalidade atingiu 40,7% no Brasil em 2023, patamar próximo ao de 2019. Entre as pessoas pretas ou pardas, a informalidade foi ainda maior, 45,8%, enquanto entre os brancos ficou em 34,3%.
Por Samantha Maia
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