3 de abril de 2025
Por Samantha Maia e Juliana Pithon
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no dia 2 de abril de 2025, a aplicação de uma tarifa mínima de 10% a todos os países que exportam produtos aos EUA e taxas adicionais a cerca de 60 nações com os maiores déficits comerciais com o país. O tarifaço atingiu os principais parceiros comerciais do país com alíquotas elevadas, em especial a China, com sobretaxa de 34%, além dos 20% já em vigor, o que desencadeou uma guerra tarifária entre as duas nações. Outros países asiáticos sofreram altas taxações, como Vietnã (46%), Sri Lanka (44%) e Mianmar (40%). A União Europeia será taxada em 20%, o Japão em 24% e a Índia em 26%. O Brasil ficou no grupo da alíquota mínima de 10%. Já Canadá e México, que vêm sendo ameaçados com maiores taxações desde o começo do ano, não entraram na lista anunciada ontem.
Em reação às medidas, a China, que havia prometido tomar contramedidas para proteger seus interesses, anunciou impor a mesma tarifa de 34% sobre todos os produtos dos EUA. A gestão americana então elevou em mais 50% as tarifas sobre as importações chinesas ao país, o que levou a um novo aumento da tarifa sobre os produtos dos EUA por parte da China, para 84%, no dia 9 de abril.
Representantes da União Europeia alertaram para consequências terríveis para todo o mundo. Segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, eles também estão “preparando novos pacotes de medidas” para proteger seus interesses. O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba declarou estar desapontado com o anúncio. “Solicitamos que o governo dos EUA revise suas medidas tarifárias unilaterais em vários níveis e estamos extremamente desapontados e lamentamos que tais medidas tenham sido implementadas mesmo assim”, afirmou no dia 2 de abril.
Impactos para o Brasil
O governo brasileiro também lamentou a decisão tomada pela gestão Trump de sobretaxar todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos em 10% e afirmou que a prioridade ainda é negociar a reversão da decisão. Apesar da primeira impressão ser de que a medida foi mais suave do que se esperava para o Brasil, os impactos das tarifas ainda estão sendo estudados e também dependem dos reflexos sobre as economias de outros países.
Analistas apontam a possibilidade do Brasil ganhar mais mercado com os Estados Unidos, diante da sobretaxa maior aplicada sobre outros parceiros, mas também alertam para o impacto de um possível redirecionamento da produção chinesa dos Estados Unidos para o país. Tudo dependerá dos resultados das negociações bilaterais que começam a partir de agora.
A estratégia de Trump
Novas tarifas sobre produtos importados têm sido anunciadas desde o começo deste segundo mandato de Trump. No dia 4 de março, entrou em vigor a taxação de 20% sobre importações chinesas. Em 12 de março, os EUA começaram a taxar em 25% todas as suas importações de aço e alumínio. No dia 3 de abril, começa a valer a taxação de 25% sobre carros e autopeças importados. Já as medidas anunciadas no tarifaço serão implementadas a partir dos dias 5 e 9 de abril.
Segundo o presidente norte-americano, as tarifas sobre importações têm como objetivo combater práticas comerciais desleais e recuperar o setor industrial no país, com impacto sobre a geração de emprego, redução do déficit comercial e aumento da arrecadação. Analistas econômicos apontam, porém, graves consequências negativas dessas medidas, como a elevação de preços nos EUA, a piora no padrão de vida da população e a derrubada do PIB do país, com reflexo em toda a economia global.
A política de Trump se insere em um processo de crise do multilateralismo, com o enfraquecimento de organismos mediadores das relações internacionais. A Organização Mundial do Comércio (OMC), por exemplo, está paralisada desde 2019 pelos EUA se negarem a aprovar a nomeação de novos juízes para o Órgão de Apelação da entidade. Como reflexo, o Brasil acaba de aprovar um projeto de lei que autoriza o governo brasileiro a retaliar quem impuser barreiras aos produtos do país, sem precisar recorrer à OMC.
Relações Brasil-EUA
Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, perdendo apenas para a China no total de valores exportados e importados. Em 2024, o Brasil bateu recorde de exportações para os EUA, com vendas de US$ 40,3 bilhões. Mesmo assim, o valor não superou o total importado pelo Brasil dos EUA, que registrou um superávit comercial de US$ 283 milhões.
Os principais itens exportados pelo Brasil aos EUA em 2024 foram: Óleos brutos de petróleo (14%), Formas primárias de ferro ou aço (8,8%), Aeronaves e equipamentos (6,7%), e Café não torrado (4,7%). Já a lista de produtos importados pelo Brasil dos EUA é liderada por: Motores e máquinas não elétricos (15%), Óleos combustíveis de petróleo (9,7%), Aeronaves e suas partes (4,9%), Demais produtos da indústria de transformação (4,3%).
*Texto atualizado no dia 9 de abril de 2025
Por Samantha Maia
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