A substituição da economia do crime – IREE

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A substituição da economia do crime

13 de junho de 2025

Por Gabriela Farias

Durante o 2º Seminário Internacional de Segurança Pública, Direitos Humanos e Democracia, realizado entre os dias 26 e 29 de maio, em São Paulo, no painel “A substituição da economia do crime”, especialistas abordaram o enfrentamento ao crime organizado a partir de um olhar voltado para a economia brasileira.

O economista Paulo Gala afirmou que o problema de segurança pública é, essencialmente, econômico. “Trata-se de uma disputa por atividades que remuneram melhor ou pior”, afirmou. Ele defendeu a necessidade de um combate em duas frentes: institucional e material. “Não tem como pensar o crime sem pensar na economia do crime, quanto aquilo gera, quanto remunera, quais atividades legais estão competindo com isso. São forças muito poderosas.”

Leandro Piquet Carneiro, coordenador da Escola de Segurança Multidimensional da USP, destacou que a infiltração do crime em mercados lícitos aproveita brechas regulatórias e enfraquece o setor formal. “O market share de algumas empresas importantes na área de combustíveis cai ano a ano em função dessa expansão [do crime organizado]”, alertou. Segundo ele, é preciso entender o funcionamento dessas organizações e coordenar melhor a resposta do Estado.

Daniel Cerqueira, pesquisador do IPEA, reforçou a gravidade dessa infiltração. Ele explicou que quando o capital ilícito entra em setores legais, empresas eficientes são expulsas por concorrentes que operam à base de recursos ilegais, o que compromete a produtividade e o desenvolvimento sustentado do país. “Isso é um tiro no pé sobre o crescimento do Brasil”, disse. 

Na avaliação do professor de Direito Penal da UERJ, Davi Tangerino, há ainda uma má gestão de recursos investidos em segurança pública por parte do Estado. “Dinheiro em segurança pública é alocado em polícia e cadeia. E essa é uma alocação de recurso absolutamente ineficiente para boa parte dos crimes mencionados aqui”, apontou. Ele defende que agências reguladoras como a Anvisa têm um papel mais estratégico no controle desses mercados do que a repressão penal tradicional.

Para o economista-chefe do IREE, Luiz Gonzaga Belluzzo, é impossível enfrentar o crime organizado sem compreender suas raízes econômicas e sociais. “Se a gente não resolver esse problema da desigualdade e da precarização, nós não vamos conseguir efeitos muito importantes”. Segundo ele, o Estado precisa atacar a origem do problema. “O Estado é um agente fundamental para o combate ao crime, mas as políticas que ele desenvolve ainda são muito limitadas.”, afirmou.



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