A ONU e as guerras – IREE

Análises e Editorial

A ONU e as guerras

25 de setembro de 2024

A abertura da 79ª Assembleia Geral da ONU foi marcada por discursos sobre as guerras em curso e a constatação da incapacidade da instituição para atuar na resolução dos conflitos.

Dentre os conflitos graves em andamento pelo mundo, a guerra entre Rússia e Ucrânia persiste desde fevereiro de 2022, quando o território ucraniano foi invadido pelas forças russas. No Oriente Médio, o conflito entre Israel e Palestina foi deflagrado em outubro de 2023, após um ataque do grupo Hamas em território israelense. Já o embate entre Israel e Líbano escalou em julho de 2024, após Israel atacar Beirute e matar um comandante militar do Hezbollah.

No Sudão, a guerra civil iniciada em abril de 2023 já causou o deslocamento de 13 milhões de pessoas, agravando a crise humanitária no país. No Haiti, desde março de 2024, grupos armados desafiam as autoridades e instituições estatais, controlando o território e desestabilizando ainda mais a nação.

“Um barril de pólvora que corre o risco de engolir o mundo” – Antonio Guterres

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, criticou países que descumprem determinações da ONU “sem que nada aconteça”. Guterres destacou que as divisões geopolíticas continuam se aprofundando e pediu que a comunidade internacional se mobilize para evitar que “o Líbano vire outra Gaza”.

“Medidas de paz e estabilidade ao Oriente Médio” – Joe Biden

Em seu último discurso na ONU como presidente dos Estados Unidos, Joe Biden afirmou que é chegada a hora de colocar um fim na guerra entre Israel e Hamas em Gaza e desescalar as tensões regionais no Oriente Médio. Biden defendeu que há tempo para resolver a situação por meio do diálogo e que uma solução diplomática é o único caminho para uma segurança duradoura.

“O uso da força está se tornando a regra” – Lula da Silva

No discurso de abertura, o presidente Lula da Silva destacou o recorde de conflitos no mundo em 2023, maior número desde a Segunda Guerra Mundial, e alertou para o potencial de se tornarem confrontos generalizados.

Lula também criticou a primazia dos gastos com armamentos, em detrimento do combate às desigualdades e às emergências climáticas. O presidente do Brasil defendeu novamente a necessidade de reforma da ONU diante da crise da governança global e detalhou uma proposta de revisão da Carta das Nações Unidas que trate dos “desafios mais prementes da humanidade”.

A questão ambiental foi outro destaque na fala de Lula, que cobrou ações dos países contra mudanças climáticas e criticou o não cumprimento de acordos. O presidente brasileiro afirmou que seu governo “não terceiriza a responsabilidade” e admitiu que “é preciso fazer mais”, ao citar os problemas da seca e das queimadas que atingem o Brasil.

Cúpula do Futuro

No domingo, dia 22 de setembro, líderes da maioria dos países reunidos na Cúpula do Futuro, da ONU assinaram um documento com 56 ações para o futuro do planeta como a erradicação da fome, a proteção de civis em conflitos armados e a busca por soluções pacíficas para conflitos.



Por Samantha Maia

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