22 de setembro de 2026
A 81ª Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York, ocorre em um momento de divisões crescentes entre países e de pressão sobre o sistema multilateral. Em um contexto de crises globais sobrepostas, no qual a ONU tem claras limitações em seu poder de influência, a agenda do evento abrange temas como guerras, desafios econômicos, crises humanitárias, mudanças climáticas, desenvolvimento e tecnologias emergentes.
O presidente da Assembleia Geral, Khalilur Rahman, ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, defendeu que a razão de ser da organização continua sendo “evitar uma terceira guerra mundial”. Rahman reconheceu que muitas guerras não foram resolvidas, mas afirmou que, mesmo nos conflitos em curso, a ONU continua presente, alimentando, abrigando e protegendo pessoas e atuando na reconstrução de comunidades, instituições e sociedades.
Em seu último discurso na Assembleia Geral como secretário-geral da ONU, António Guterres afirmou que o mundo está se tornando multipolar, com novos centros de poder econômico, político e tecnológico. Para ele, esse cenário exige uma ordem baseada na cooperação, no direito internacional e em regras compartilhadas. Guterres defendeu que as grandes potências reconheçam os limites de seu poder, argumentando que a força militar não produz paz e a hegemonia econômica não garante estabilidade.
A discussão sobre o poder e a soberania também esteve presente no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No discurso de abertura, realizado tradicionalmente pelo Brasil, Lula defendeu a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos. Ao abordar as relações com os Estados Unidos, afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e que o país precisa de parceiros que contribuam para seu desenvolvimento. Lula também afirmou que “a democracia está novamente em xeque” e denunciou a ingerência externa em processos eleitorais. A fala ocorre a menos de três semanas das eleições brasileiras, em meio às tensões entre Brasil e Estados Unidos.
Na sequência, o presidente americano Donald Trump afirmou em seu discurso que os Estados Unidos não descartam o uso de seu poderio militar na América Latina para defender seus interesses no Hemisfério Ocidental. Ao justificar a intervenção na Venezuela, citou os interesses econômicos envolvidos e os acordos sobre o petróleo venezuelano. Trump também criticou organismos internacionais e defendeu maior autonomia dos Estados Unidos para conduzir sua política externa, em um momento de pressão sobre a própria ONU.
Os discursos expõem algumas das principais tensões que atravessam a atual ordem internacional: a capacidade das instituições multilaterais de responder às crises, os riscos à soberania nacional e o papel da força militar e da cooperação na resolução de conflitos.
Por IREE
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