A objetificação feminina não pode ser relativizada – IREE

Colunistas

A objetificação feminina não pode ser relativizada

Danielle Zulques

Danielle Zulques
Diretora de política e sociedade do IREE



Começo o meu texto com uma lógica que todo mundo já sabe: a objetificação feminina desumaniza a mulher. Por razões óbvias, reduzir uma mulher a mero objeto material de desejo, ou muitas vezes de repulsa, em razão de suas características físicas, desconsiderando sua personalidade, inteligência e conquistas individuais perpetua a desigualdade de gênero e faz dela apenas mais um objeto de submissão masculina.

Na última semana começou o Reality Show Big Brother Brasil, e logo nos primeiros dias já pudemos nos deparar com exemplos clássicos de corpos femininos sendo objetificados. Em uma das vezes, alguns homens, em um quarto, analisaram o corpo de uma participante como se estivessem escolhendo um produto na prateleira do supermercado. A forma como disseram que ela envelheceu, como uma parte de seu corpo está estranha, ou até mesmo que a cor do seu cabelo faz com que um dos rapazes não sinta atração é deplorável.

Sabemos que são muitas as conquistas que tivemos ao longo do tempo, porém discutir nos dias de hoje se é aceitável transformar alguém em objeto, anulando seu emocional e psicológico e automaticamente preterindo seus desejos e vontades, é surreal.

A objetificação por si só já é repulsiva, mas ela fica ainda mais problemática quando percebemos que acaba desembocando na cultura do estupro, na violência contra a mulher, padronização estética (inalcançável) e muitas outras coisas. Ser julgada pela aparência, sendo considerada útil ou não, como mero objeto de prazer, acaba justificando atos de violência como por exemplo o de que ela foi estuprada pois estava usando roupas inadequadas. Vale lembrar ainda, que quando objetificadas, as mulheres entendem que precisam alcançar um padrão corporal que satisfaça os homens, e muitas vezes acabam cometendo loucuras prejudiciais a sua saúde, buscando por um “corpo perfeito”.

Concluo o meu texto ressaltando a extrema importância de não relativizarmos mais situações de objetificações de corpos femininos. Nós mulheres somos seres completos, autônomos, com prazeres, vontades, emoções, somos relevantes e, portanto, diferente de objetos. Parem de consumir o corpo alheio.



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Danielle Zulques

É Diretora para assuntos de política e sociedade do IREE. Advogada formada pela FAAP e pós-graduada em Ciências Políticas pela FESPSP. É Coordenadora da CAUSA - rede que conecta advogadas a mães em busca de suporte legal.

Leia também