A luta contra a infiltração do crime organizado nas estruturas de poder – IREE

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A luta contra a infiltração do crime organizado nas estruturas de poder

4 de junho de 2025

Por Samantha Maia

A infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado brasileiro tem acendido alertas em diferentes esferas do poder público. Esse fenômeno, que compromete a efetividade das instituições e ameaça a democracia, foi tema de um painel no 2º Seminário Internacional de Segurança Pública, Direitos Humanos e Democracia, realizado entre 26 e 29 de maio de 2025, em São Paulo. Reunindo autoridades como o Senador Fabiano Contarato, o Promotor de Justiça Lincoln Gakiya e os Diretores-Gerais da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Oliveira, o debate evidenciou os desafios para enfrentar as organizações criminosas.

O Promotor de Justiça Lincoln Gakiya falou sobre como as organizações criminosas não crescem sem a captura de agentes públicos. “A infiltração nos poderes do Estado é um dos elementos que definem a existência de uma máfia. Essas organizações precisam dessa simbiose com o aparato estatal para garantir proteção, vantagens e até mesmo para se proteger de facções rivais”, explicou. Ele citou o caso recente da investigação que apontou a ligação de empresas de ônibus na capital paulista com o Primeiro Comando da Capital (PCC) como um exemplo que comprova essa dinâmica.

“Não é possível que não haja uma espécie de compliance antimáfia para proteger o dinheiro público da infiltração desses criminosos. Como é que indivíduos que são narcotraficantes internacionais, que fazem negócios com a ‘Ndrangheta, por exemplo, que estão procurados e na lista de difusão vermelha da Interpol, façam parte do controle acionário de empresas que prestam serviço na maior capital do Brasil, transportam 30 milhões de passageiros e arrecadam em torno de R$ 1 bilhão por ano de subvenção da prefeitura?”, disse Lincoln Gakiya.

O senador Fabiano Contarato enfatizou que o poder público precisa responder de forma eficaz às demandas da população que se sente vulnerável e alertou que a infiltração do crime organizado compromete a confiança da sociedade nas instituições públicas. “Por que que se impregnou na população de que ‘bandido bom é bandido morto’? Qual é o papel das instituições? Porque nós temos que ver que essa organização criminosa que se aperfeiçoa a cada momento, ela está enraizada não só nas atuações e órgãos institucionais, mas na formação, por exemplo, acadêmica de advogados. É inclusive na formação e preparação para concursos para promotor de justiça e juiz de direito, na própria Receita Federal para integrar as instituições. E isso é muito grave.”

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu o fortalecimento das instituições para debelar a infiltração das organizações criminosas no aparelho do Estado e detalhou o trabalho que a PF tem feito nesse sentido. “Há mecanismos que utilizamos a partir das nossas bases de dados para que essa depuração seja feita desde a inscrição no concurso. O processo é contínuo, e temos feito em parceria. Cito um caso concreto, na semana passada, em que foi presa uma pessoa vinculada a uma organização criminosa com base no Rio de Janeiro, que se preparava para o concurso da própria Polícia Federal. E veja a importância da integração doméstica, uma operação que começa no Rio Grande do Norte, que tem uma ponta no Pará, e a prisão aconteceu em Brasília”, contou.

O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Oliveira, destacou que a eficácia do trabalho policial depende da capacidade de atingir os interesses econômicos das organizações criminosas. “O esforço que a polícia ostensiva faz busca maior eficiência, faz essa busca, essas apreensões. Mas quanto isso tem significado? Precisa que a Polícia Federal continue essas investigações e consiga causar impacto econômico ao negócio do crime. Porque as organizações criminosas existem para angariar lucro. Então, a gente tem que enfrentar com essa consciência, valorizando as instituições para que elas cresçam, todas elas”, afirmou.

 



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