A Inzenção, a Pacificação e o Macaco Alfa – IREE

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A Inzenção, a Pacificação e o Macaco Alfa

6 de outubro de 2025

Ricardo Dias

Ricardo Dias
É luthier, escritor e músico



E chegamos a outubro com um gostinho de cabo de guarda-chuva na boca. Não aconteceu muita coisa desde a sensacional condenação. Claro, tivemos a declaração de amor de Trump a Lula, e parece que haverá uma conversa entre eles. Mas Janja, previdente, já avisou que vai junto.

Apesar de Lula já ser meio velhinho, ela prefere não arriscar.

Mas temos assuntos. Temos Bananinha nos EUA nos traindo diariamente, junto com o neto do ditador. É fascinante a visão estratégica da nossa extrema. Zambelli podia ter ficado nos EUA, sossegada, correndo atrás de pessoas com arma em punho. Preferiu ir para a Itália, e deu no que deu. Bananinha deu um jeito de nunca mais ver o pai. Este talvez até agradeça, mas convenhamos: é muita burrice. E os irmãos não se entendem. Flavio diz outra coisa, Carluxo não diz nada, e o intelectual 04 segue a tradição caseira se metendo em trapalhadas financeiras. Dona Michelle diz que quer ser primeira-dama, e a menina, que um dia foi chamada de “uma fraquejada”, aparentemente é a melhor de todos.

Que família, que família!

 

Nesse momento estão votando a isenção do IR para quem ganha até 5 mil (alguém poderia dizer aos nobres deputados – de ambos os lados! – que não tem um N depois do I? Inzenção é insuportável!). Os sagazes bolsonaristas querem dar isenção para quem ganha até 10 mil. Ora, no projeto do governo a diferença perdida virá da taxação de 144 mil pessoas, que ainda assim pagarão bem pouco. A proposta do bolsonarismo visa inviabilizar tudo, com eles posando de coitados que tentaram o que puderam. O bondoso deputado Sóstenes, auxiliar direto de Malafaia, não responde ao repórter impertinente que lhe faz pergunta pertinente.

-Mas 10 mil? Como vai repor essa inzenção? – desculpe, isenção.

-Não vamos aumentar impostos.

-Sim, mas como cobrir a diferença?

-Não vamos aumentar impostos!

-Mas não é isso, deputado, eu…

-Quantas vezes terei que repetir? Não vamos aumentar impostos!!!!!!

E sai de cena, com a cabeça erguida de quem cumpriu seu dever. Dever de não fazer nada que preste.

Mas o projeto real passou, por unanimidade. TODA a oposição agradecendo a Arthur Lyra, que só atrapalhou o texto original.

Meus sais, meus sais!

 

Eles tentam agora voltar à tal da anistia.

-São uns coitados, uns idiotas, não sabiam o que faziam!

-Ok, deputado, e os líderes?

-Líderes de quê? Não houve nada!

-Mas se não houve nada, quem liderou o quebra quebra?

-Não houve, foram uns infiltrados petistas!

-Então vocês estão pedindo anistia para os petistas?

-Sim. E depois dizem que não temos coração!

Essas boas almas querem pacificar o país. Como, minha senhora, a senhora está em paz? E o senhor? Em paz também? E você? Ué, TODOS em paz? Pensando bem, nem nas redes sociais tenho tido mais conflitos. Claro, o gado continua postando bobagens, mas basta responder com ironia, eles nem percebem. Pacificar o quê? A quem? Aonde? A anistia vai acabar com o genocídio em Gaza? Eles querem perdão para o Netanyahu para pacificar a região? É isso? Ou anistia para os pacifistas – incluindo brasileiros – que foram presos ilegalmente pelo Estado de Israel?

Porque aqui, a única guerra que vejo é a do Congresso contra nós. Mas essa é tão antiga que nem ligamos mais.

Que Congresso…

 

E Tarcísio? Reinaldo Azevedo (melhoras! E, repito, pare de fumar!) observa que, ao sair da prisão/casa após uma visita ele se referiu a Biroliro no passado, como se não tivesse mais relevância – e, de fato, não tem.

Conta-se que o ditador Salazar, de Portugal, teve um avc ou algo assim. Ficou um tempão morre-não-morre, seguiram com o governo sem ele, mas um dia, acordou. E quis saber como andavam as coisas. Pois imprimiram jornais só para o convalescente, diariamente, simulando que o país estivesse esperando por ele. Quando o ditador dava uma ordem, que ninguém cumpria, aparecia nas manchetes como se tivesse ocorrido. Bozo está mais ou menos assim, não tem relevância mais nenhuma, mas ainda fingem que ele tem.

Só não fazem o truque do jornal porque ele não lê. Talvez se fizessem via dancinha do TikTok…

E isso foi presidente….

Mas queria terminar com uma observação sobre o simpático Tarcísio: em São Paulo descobriu-se que o PCC está infiltrado em tudo, envenena bebida, manda na Faria Lima, manda nos combustíveis, o ex-chefe de polícia morre assassinado (numa morte anunciada – e um de seus assassinos tem o azar de morrer num confronto com a polícia do Paraná), e NADA respinga nele? Nada gruda? Esse homem é feito de teflon! Um governo medíocre, sem resultados, nada positivo. E é o ungido pela grande imprensa para ser nosso próximo presidente.

Que imprensa!

 

Encontrei a primatologista Jane Goodall comendo algodão doce na pracinha aqui do bairro. Sempre a admirei, então puxei conversa. Ela estava um pouco reticente, sua vida havia mudado há pouco, mas resolvi superar isso mencionando sua grande paixão: os macacos.

-Você jura que vai falar em macaco? Você sabe que eu tenho outros interesses, literatura, cozinha, viagens…

-Desculpe.

-Tudo bem, estou acostumada.

-Mas ouvi dizer que a senhora analisou o presidente americano sob o prisma dos símios.

Ela se animou.

-Sim, é verdade. Ele se comporta como os gorilas que querem impor sua liderança, bate no peito, faz barulho…

-E Bolsonaro? Também?

-Ah, mais ou menos. Esse bate no peito, faz barulho, atira cocô, mas qualquer um que bata de volta ele sai correndo.



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Ricardo Dias

Tem formação de Violonista Clássico e é luthier há mais de 30 anos, além de ser escritor, compositor e músico. É moderador do maior fórum de violão clássico em língua portuguesa (violao.org), um dos maiores do mundo no tema e também autor do livro “Sérgio Abreu – uma biografia”.

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