A Fórmula, as Plantas e o Trocadilho Genial – IREE

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A Fórmula, as Plantas e o Trocadilho Genial

5 de novembro de 2025

Ricardo Dias

Ricardo Dias
É luthier, escritor e músico



Pois é.

Acabamos de descobrir a fórmula mágica para o sucesso político!

-Reduzir o desemprego?

-Nããããão!!!!!

-Reduzir a inflação?

-Nããããão!!!!!

-Dar casa para o povo?

-Nããããão!!!!!

-Ser respeitado no mundo todo?

-Nããããão!!!!!

-Então como é que é?

-Mata gente! Mata gente! Mata gente!

Seus índices vão subir, o povo vai te apoiar, a galera da comunidade vai te apoiar, você vai ser aplaudido DE PÉ em igrejas! E igrejas católicas!

Aonde foi que nós erramos? Em que momento matar gente virou coisa boa? Como a maioria dos fuzis apreendidos veio de CACs, cortesia do governo Bolsonaro, queremos crer que virou de bom tom uma chacina de vez em quando. Desde que seja gente preta e pobre, evidentemente. Gente rica é mais arisca, não para quieta – e dá muita dor de cabeça, não pode sair matando.

Mas aí vem a questão eleitoreira – digo, eleitoral. O que a esquerda deve dizer para não perder os votos dos defensores de assassinatos?

-Olha, enquanto ser humano e a nível de autoridade, acho errado matar gente.

A multidão fica em silêncio.

-Mas quem disse que pobre é gente???????

A multidão delira, joga chapéus para o ar, grita “já ganhou”!

 

 

Ancelmo Góes nos informa que observaram soldados correndo e se exercitando na orla do Rio, cantando canções motivacionais. Uma delas dizia:

“Se o vagabundo não falar, a gente dá porrada até matar.”

Estão defasados, estão matando sem perguntar nada.

Foi um golpe de mestre da direita. Não consigo imaginar como chegaram a isso.

-Gente, o Lula disparou! Precisamos fazer algo!

-Espalhar fake news?

-Não adianta, a comunicação deles melhorou muito.

-Botar o Nikolas num fundo preto e contratar robôs para apoiar, com ele dizendo alguma asneira?

-Não, depois que a história do pix ajudou o crime organizado, melhor deixar ele quieto.

-Hummm… Rapazes, acho que tenho uma ideia… Pode parecer meio radical, mas acho que vai funcionar.

É isso. O pobre de direita já é uma realidade. Ouvi rumores de petições pela volta do AI-5. Conta-se de uma passeata onde tem uma faixa: nada de Game of Thrones, queremos a Cadeira do Dragão! Há quem jure ter visto uma pixação de presidiários pedindo pena de morte. A coisa está feia.

Mas nem tudo são flores. Há plantas, também. Pelo que entendi, o príncipe Williams é vegano.

-Palmas para o príncipe que ele merece!

Mas parece que, por causa disso, todo o banquete da COP30 terá que ser assim. O chef Saulo Jennings simplesmente se recusou. Não por preconceito contra os veganos, parece que ele foi inclusive pioneiro nisso na alta gastronomia paraense, mas por princípio: não admitir que se deixasse de consumir os pratos típicos da região à base de peixe – e eu sou insuspeito, não como peixe nem sob tortura, mas culinária é cultura! O cidadão deixar de participar de um negócio desses por princípio é coisa de outro mundo.

Então, prendam-no. Ele está fora do padrão vigente.

Antes de terminar, conto que andei pensando num trem. Existe a expressão, vinda de um poema latino, “Dies Irae”, a ira de Deus. Foi musicada, passou a fazer parte de alguns réquiens, o mais notável, de Mozart. Pensei que seria muito legal chamar minha coluna de… Dias Iree!

Ok, esquece, não adianta, sou um incompreendido…

Estava buquinando num sebo – alguém ainda sabe o que é isso? Dicionário, rápido! Quando encontrei o nosso maior crítico literário: Antonio Candido! Não me contive, e me aproximei da rodinha que o cercava. Conversavam sobre a falta de cultura de nossos governantes, houve quem ponderasse que Lula, por exemplo, nunca foi uma pessoa letrada, mas sempre se informou sobre tudo, e aproveitou o tempo de sua prisão para se aprofundar em assuntos que ele já dominava por instinto e prática.

Não me contive:

-E Bolsonaro?

-Esse certamente pensa que “Memórias de um Sargento de Milícias” é a autobiografia do Queiroz…



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Ricardo Dias

Tem formação de Violonista Clássico e é luthier há mais de 30 anos, além de ser escritor, compositor e músico. É moderador do maior fórum de violão clássico em língua portuguesa (violao.org), um dos maiores do mundo no tema e também autor do livro “Sérgio Abreu – uma biografia”.

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