3 de agosto de 2026
Os dados do último Censo Demográfico, de 2022, divulgado pelo IBGE, mostram que, pela primeira vez, casais com filhos deixaram de ser maioria no Brasil. Enquanto isso, aumentaram os lares unipessoais e os casais sem filhos.
Em 2000, as famílias formadas por casais com filhos representavam 56,4% do total. Em 2022, esse percentual caiu para 42,0%. Em pouco mais de duas décadas, esse modelo familiar deixou de ser o mais comum no país.
No mesmo período, os casais sem filhos passaram de 13,0% para 24,1% das famílias brasileiras. A participação desse grupo quase dobrou em 22 anos.
O Censo também mostra mudanças na composição das famílias. As famílias formadas por mulheres sem cônjuge com filhos passaram de 11,6% para 13,5%. Já as famílias compostas por homens sem cônjuge com filhos cresceram de 1,5% para 2,0%. Os chamados “outros arranjos familiares”, categoria que reúne famílias com diferentes combinações de parentes vivendo juntos, também aumentaram, passando de 4,2% para 7,7%.
Outra mudança observada foi na liderança familiar. Em 2000, homens eram responsáveis por 75,1% dos domicílios brasileiros, enquanto as mulheres respondiam por 24,9%. Em 2022, esses percentuais passaram para 51,1% e 49,1%, respectivamente. Em pouco mais de duas décadas, a participação das mulheres como responsáveis pelos domicílios quase dobrou.
O levantamento também mostrou que o número de uniões entre pessoas do mesmo sexo cresceu mais de oito vezes em 12 anos, passando de cerca de 58 mil para 480 mil em 2022. A categoria foi incluída pela primeira vez no Censo de 2010.
Outra tendência observada foi o aumento dos lares unipessoais. Em 2000, 4,1 milhões de brasileiros viviam sozinhos. Em 2022, esse número chegou a 13,7 milhões, mais que triplicando no período.
Os dados revelam que a família continua sendo uma instituição central, mas seu formato mudou. O modelo tradicional perde protagonismo e abre espaço para arranjos familiares cada vez mais diversos. Compreender essa mudança é essencial para entender a sociedade brasileira de hoje.
Por Gabriela Farias
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