26 de junho de 2026
Durante anos, apoiar publicamente a diversidade tornou-se uma estratégia para muitas empresas. Impulsionadas pela agenda ESG e pelo alto poder de consumo da comunidade LGBTQIA+, marcas passaram a investir em campanhas sazonais, patrocínios e políticas de inclusão.
Recentemente, entretanto, o cenário mudou. Nos Estados Unidos, empresas como Meta, McDonald’s e Victoria’s Secret anunciaram a redução ou o encerramento de programas de diversidade e inclusão.
No Brasil, a Parada do Orgulho de São Paulo registrou uma queda de cerca de 60% na arrecadação com patrocínios privados em 2026, embora a edição anterior tenha movimentado mais de R$ 540 milhões na economia da cidade.
Especialistas apontam que diferentes fatores explicam esse movimento: decisões judiciais nos Estados Unidos sobre ações afirmativas, retorno de Donald Trump e maior pressão contra políticas de diversidade, aumento da polarização política, receio de processos judiciais, boicotes e impactos à reputação.
Para muitas empresas, apoiar publicamente essas pautas passou a representar mais riscos do que há alguns anos.
Embora os reflexos dessa tendência também tenham chegado ao Brasil, aqui, o cenário é diferente. O respaldo legal às ações afirmativas e o contexto regulatório ajudam a explicar por que algumas empresas mantiveram suas políticas de diversidade no país, mesmo após rever estratégias em outros mercados.
O recuo de parte das empresas revela como decisões sobre diversidade também são influenciadas pelo contexto político, jurídico e econômico. Ao mesmo tempo que evidencia os limites de um compromisso que depende do cálculo de custos e benefícios para ser mantido.
Por Gabriela Farias
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