A crise no Equador e o desafio comum com o Brasil – IREE

Análises e Editorial

A crise no Equador e o desafio comum com o Brasil

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

O Equador enfrenta uma grave crise de segurança desencadeada pela fuga da prisão de Adolfo Macías, o “Fito”, líder da facção criminosa Los Choneros. Depois do governo equatoriano declarar estado de emergência no país no dia 8 de janeiro, facções criminosas reagiram com um ataque violento a uma emissora de TV no dia 9, sequestros de policiais, mais fugas das prisões e invasão de universidades.

Em resposta, o presidente equatoriano Daniel Noboa emitiu um decreto reconhecendo oficialmente a existência de um conflito armado interno. O documento identifica 22 organizações criminosas como terroristas e autoriza as Forças Armadas a executar operações para neutralizá-las.

Em meio à crise, o presidente Lula da Silva se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para discutir medidas de apoio e cooperação. O chefe do executivo solicitou a elaboração de um plano conjunto contra o tráfico nas fronteiras envolvendo o Ministério da Justiça.

O Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues também colocou agentes da força policial brasileira à disposição do país vizinho para auxiliar no combate às ações de grupos criminosos.

A crise no Equador reflete a dificuldade generalizada na América Latina de combater o crime organizado, um problema que também assola o Brasil diante do crescimento das organizações criminosas no país. A alta demanda por cocaína nos Estados Unidos e na Europa exerce pressão sobre os países latino-americanos.

“Os acontecimentos no Equador são prova inequívoca de que o crime organizado está presente em toda América Latina e deve ser pauta prioritária do Mercosul. É o principal problema da segurança pública no Brasil e na América Latina. O governo do Presidente Lula acertou em priorizar o enfrentamento às organizações criminosas na gestão do ministro Flávio Dino e terá continuidade e ampliação na gestão do ministro Lewandowski”, afirma o Coordenador do Núcleo de Segurança Pública, Benedito Mariano.

Características da Crise de Segurança na América Latina

Expansão das Facções Ligadas ao Narcotráfico

Há mais de dez anos, o narcotráfico, atividade criminosa que envolve produção, comercialização e distribuição de drogas ilícitas, se expande na região. Países como Colômbia, Peru e Bolívia destacam-se como principais produtores de cocaína. Esse comércio está entre as cinco atividades que mais rendem dinheiro no mundo. No Brasil, em 2023, a Polícia Federal apreendeu expressivos R$ 2,07 bilhões em bens e valores relacionados ao tráfico de drogas.

Infiltração do Crime Organizado nas Instituições

A expansão do narcotráfico em uma cadeia de negócios torna este mercado cada vez mais complexo, com consequências como a infiltração do crime organizado nos mercados e governos, dificultando a distinção entre atividades lícitas e ilícitas.

Em artigo escrito pelo presidente do IREE, Walfrido Warde, e Benedito Mariano, eles falam sobre como o crime passou a financiar a política e organizar empresas com o fim de contratar com a administração pública. Segundo eles, é urgente combater esses mecanismos.

Fragilidade e Superlotação do Sistema Carcerário

Um dos principais efeitos da política de combate às drogas foi o encarceramento em massa, que superlota as prisões. O colapso do sistema prisional criou um ambiente propício para a consolidação de grupos criminosos dentro dos presídios, e as prisões se tornaram centros de comando para as principais facções de tráfico de drogas.



Por Samantha Maia

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