A corrida dos data centers – IREE

Análises e Editorial

A corrida dos data centers

25 de agosto de 2026

A inteligência artificial está acelerando uma corrida global para construir data centers, infraestrutura que se tornou estratégica para o avanço da economia digital. A demanda por capacidade dessas instalações deve quase triplicar até 2030, enquanto o consumo de eletricidade deve mais que dobrar.

Os data centers são edifícios ou galpões que abrigam milhares de servidores, que são computadores responsáveis por armazenar, processar e distribuir dados. Para funcionar 24 horas por dia e sete dias por semana, essas instalações precisam de sistemas de energia, refrigeração, conexão e segurança.

Segundo levantamento da Galapagos Capital, a demanda global por capacidade de data centers deve passar de 82 GW, em 2025, para 219 GW em 2030. Essa capacidade é medida pela potência elétrica disponível para os equipamentos de Tecnologia da Informação (TI). O principal motor dessa expansão é a Inteligência Artificial: a capacidade destinada a aplicações de IA deve passar de 44 GW para 156 GW no mesmo período.

A expansão também aumenta a demanda por eletricidade. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo mundial de eletricidade dos data centers deve passar de 415 TWh, em 2024, para 945 TWh, em 2030, equivalente ao consumo atual de eletricidade do Japão.

Nesse cenário, o Brasil entrou no radar das empresas para construção de novos data centers. O país já tem 218 instalações e concentra cerca de metade das unidades da América do Sul. A capacidade instalada chega a 706 MW, enquanto outros 660 MW estão em construção, segundo dados do Data Center Map e da JLL, consultoria global de imóveis e investimentos.

O Brasil reúne três recursos importantes para esse mercado: energia, conectividade e água. O país tem energia para atender à demanda dos data centers e grande disponibilidade de recursos hídricos, que necessários para os sistemas de resfriamento dessas instalações. Além disso, uma extensa rede de cabos submarinos conecta o Brasil às principais rotas de comunicação da América do Norte, Europa e Ásia.

O Ceará está entre os principais destinos dos novos investimentos em data centers no Brasil, com 12 data centers em operação, o quarto maior mercado do país, e 16 cabos submarinos conectando Fortaleza às principais rotas de comunicação internacionais. No Complexo do Pecém, a ByteDance, dona do TikTok, está construindo seu primeiro data center na América Latina, em um projeto com investimento de até R$ 200 bilhões.

A instalação de data centers no país é considerada estratégica pelo governo, que busca atrair investidores por meio de incentivos tributários. A proposta também está relacionada redução da dependência de serviços prestados a partir do exterior e, segundo a justificativa apresentada pelo governo, ter serviços digitais a preços mais baixos.

Em setembro de 2025, o governo criou, por medida provisória, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), com benefícios fiscais para empresas que instalassem ou ampliassem data centers no Brasil. A MP perdeu a validade em fevereiro de 2026. O tema continua em discussão no Congresso. O PL 278/2026, que prevê a criação do Redata, foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está em tramitação no Senado.

A expansão, porém, também levanta questões sobre os impactos econômicos e sociais desses empreendimentos. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), um data center de 100 MW pode mobilizar cerca de R$ 25 bilhões e gerar 12.560 empregos durante sua implantação. Depois, cerca de 15% dessas vagas permanecem na operação.

Ao mesmo tempo, esses empreendimentos aumentam a demanda local por água, energia e infraestrutura, ocupam áreas extensas, alterando a paisagem, e podem gerar ruído. Dessa forma, a corrida global por data centers envolve questões ligadas à ocupação do território e distribuição dos ganhos gerados por esses investimentos, em um momento de euforia em torno da inteligência artificial, marcado por aplicações bilionárias e expectativas elevadas sobre o potencial dessa tecnologia.



Por Samantha Maia

Leia também