10 de novembro de 2025
De 10 a 21 de novembro de 2025, Belém do Pará se torna a capital temporária do Brasil e o centro das negociações climáticas do mundo. A cidade sedia a COP30, conferência da ONU que deve reunir cerca de 50 mil pessoas de 194 países e da União Europeia para discutir caminhos concretos para adaptação e financiamento climático.
Realizada pela primeira vez na Amazônia, a conferência tem sido chamada de “COP da implementação”, pela urgência em colocar em prática os compromissos já assumidos pelos países. O evento foi precedido pela Cúpula do Clima, que reuniu chefes de Estado, líderes de governo e representantes de cerca de 70 nações.
A situação de emergência climática exige maior ambição da sociedade em relação à redução de emissões, mas, segundo a ONU, a conferência começou com apenas 106 dos 195 signatários do Acordo de Paris tendo apresentado novas NDCs, metas que cada país assume para reduzir emissões de gases de efeito estufa, que devem ser atualizadas a cada cinco anos, para intensificar a descarbonização e promover a adaptação climática.
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Dentre os principais objetivos da COP30 está o de acelerar a transição energética. Para isso, a presidência brasileira quer construir um “mapa do caminho”, com etapas, prazos e responsabilidades de cada país na substituição do petróleo, gás e carvão por fontes renováveis e eficiência energética. Outra aposta nessa frente é o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis, co-patrocinado por Brasil, Itália e Japão, que busca a cooperação internacional para quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035. O “Belém 4X” já foi endossado por 19 países: Armênia, Belarus, Brasil, Canadá, Chile, Guatemala, Guiné, Índia, Itália, Japão, Maldivas, México, Moçambique, Myanmar, Países Baixos, Panamá, Coreia do Norte, Sudão e Zâmbia.
Viabilizar o financiamento climático é outra meta crucial da COP30. O desafio será dar corpo ao “Roteiro de Baku a Belém”, plano que busca mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, com juros baixos, mais doações e menos endividamento. Esse ponto será decisivo para o sucesso da conferência de Belém, já que sem financiamento em escala, metas de descarbonização e adaptação se tornam inviáveis.
Para remunerar países que conservam suas florestas tropicais, o Brasil propôs o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), um instrumento financeiro administrado pelo Banco Mundial, que transforma a preservação das florestas em investimento, em vez de doação. O lucro das aplicações neste fundo será usado para remunerar países que mantêm suas florestas em pé, com prioridade para nações como Brasil, Indonésia e Congo. O TFFF já recebeu investimentos da Noruega (US$ 3 bilhões), da Indonésia (US$ 1 bilhão), do Brasil (US$ 1 bilhão), da França (€ 500 milhões) e de Portugal (€ 1 milhão), e tem o objetivo de alcançar US$ 25 bilhões em aportes.
Por Samantha Maia
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