11 de abril de 2025
Por Samantha Maia e Juliana Pithon
O tarifaço anunciado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 2 de abril de 2025, provocou fortes reações nos mercados, com variações bruscas nas Bolsas de Valores e impacto nas moedas de diversos países. Os movimentos refletem as incertezas dos investidores para estabelecer preços de ações e demais ativos financeiros diante da política tarifária imprevisível adotada pelo governo norte-americano.
No dia seguinte ao anúncio, houve uma queda generalizada das Bolsas ao redor do mundo. Nos EUA, ocorreram as maiores perdas em um dia desde 2020: Nasdaq caiu 5,97%; S&P 500, 4,84%; e Dow Jones, 3,98%. Para ter uma ideia do impacto, as 500 maiores empresas dos EUA perderam US$ 6 trilhões em valor de mercado entre os dias 3 e 4 de abril. Até o dia 8 de abril, as perdas já somavam US$ 8 trilhões, o que equivale a três PIBs do Brasil.
Entre outros índices importantes que sofreram quedas no dia 3 de abril estão o Nikkei 225, do Japão (-2,8%), o Kospi, da Coreia do Sul (-1%), o Hang Seng, de Hong Kong (-1,5%), o Stoxx 600, europeu (-2%), o FTSE 100, de Londres (-1,5%), o Ibovespa, do Brasil (-0,04%) e o Xangai Composto, da China (-0,2%).
A escalada da guerra tarifária a partir da retaliação da China, no dia 4 de abril, fez com que os primeiros pregões da semana no mundo abrissem com mais perdas. O indicador de medo de Wall Street fechou no nível mais alto desde a pandemia de Covid-19. Japão e Taiwan chegaram a acionar o circuit breaker, um mecanismo que interrompe temporariamente as negociações nas Bolsas de Valores para conter a volatilidade. Ações europeias chegaram ao menor nível em 16 meses e a bolsa de Hong Kong teve seu maior tombo desde 1997, com -13%. O índice CSI300 (China), por sua vez, despencou mais de 7% na segunda-feira, seu pior dia em cinco anos, o que levou o governo chinês a acionar seu fundo soberano para segurar as ações.
O anúncio do governo dos EUA de limitar tarifas a 10% por um prazo de 90 dias, no dia 9 de abril levou certo alívio ao mercado, mas não suficiente para acabar com a crise de confiança. Em Wall Street, o Dow Jones fechou na quarta-feira com avanço de 7,87%, enquanto S&P 500 ganhou 9,52% e a Nasdaq subiu 12,16%. As bolsas na Ásia e na Europa operaram em alta na quinta-feira, repercutindo a melhoria dos números no mercado americano.
No Brasil, a Bolsa de Valores também tem sentido os abalos da guerra tarifária, especialmente com as variações das commodities como o petróleo, que afeta o valor de mercado da Petrobras. No dia 4 de abril, o Ibovespa caiu 2,96%, pior queda desde dezembro de 2024, e o dólar subiu 3,72%, maior alta desde novembro de 2022. Com a pausa parcial do tarifaço no dia 9 de abril, o Ibovespa subiu 3,12% e o dólar caiu 2,53%.
EUA x China
Os EUA têm aumentado ainda mais as tarifas contra a China a cada retaliação do país asiático, o que mantém os mercados do mundo inteiro no clima de incerteza, com seguidas flutuações dos ativos financeiros. No dia 11 de abril, a tarifa aplicada pelos EUA aos produtos chineses era de 145%, enquanto a taxa chinesa aos produtos norte-americanos era de 125%. Segundo o governo chinês, esse deve ser o último aumento por parte do país.
“A imposição sucessiva de tarifas excessivamente altas à China pelos EUA tornou-se nada mais do que um jogo de números, sem real significado econômico. Isso apenas expõe ainda mais a prática americana de usar tarifas como arma para intimidação e coerção, transformando-se em uma piada”, disse o porta-voz do Ministério do Comércio na sexta-feira (11) sobre a escalada tarifária.
Segundo o economista Martin Wolf, a premissa do governo dos EUA de que as tarifas acabarão com seus déficit comerciais é falsa, pois as exportações americanas devem encolher junto com as importações, provocando uma queda generalizada do comércio mundial. Para o comentarista econômico do Financial Times, Trump está destruindo a ordem liberal internacional ao recorrer ao protecionismo imprevisível.
Por Samantha Maia
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