A Aula no Futuro, o Incompetente e o PS necessário – IREE

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A Aula no Futuro, o Incompetente e o PS necessário

11 de dezembro de 2025

Ricardo Dias

Ricardo Dias
É luthier, escritor e músico



-Então, classe, era tudo muito confuso. Só há pouquíssimo tempo descobriram isso. O fato é que no início da segunda década do século passado alguns políticos resolveram fazer uma festa. Um festão, todos com alguma, ainda que pequena, importância, foram convidados. Reuniram-se num ginásio, muita comida, muita música, uma alegria total. A maioria era de direita, embora nem todos. Num dado momento, um político de Minas Gerais, um néscio, trouxe cocaína para a reunião. Muita! Não percebeu que os ventiladores estavam ligados a toda, e o pó se espalhou pelo ambiente. Ora, a maioria já estava bem alterada e, com a droga no ar, ficaram todos loucos. Virou uma orgia desenfreada – e note-se que havia uma mulher para cada 10 homens, já naquela época a distribuição era injusta. Mas que se frise que ninguém ficou de fora, e tudo ao mesmo tempo.

 

 

Seria apenas um dia comum em Brasília, quando um deputado inútil, do baixo clero, homem sem qualidades, que jamais tinha feito nada de positivo na vida, soube da festa – para a qual não fora convidado. Estava indo tomar satisfações quando, ao entrar no ginásio, se deparou com aquilo… Tomado de enorme luxúria, pois apesar de impotente ainda acalentava esperanças de virilidade, resolveu filmar o episódio com seu celular – um aparelhinho que os antigos usavam, bem interessante.

Filmou tudo, e correu para casa, para se dedicar a seu vício solitário – ou ao menos tentar. Descobriu que sua proverbial incompetência fizera com que a gravação fosse inutilizável… Tomado de raiva, ia arremessando o aparelho na parede, quando teve uma ideia – uma das poucas da vida. Deteve o gesto, e pensou: ora, ele poderia dizer que tinha registrado, ninguém sabia que a gravação era inútil, e isso poderia lhe dar poder. Pediu a um dos filhos, um tiquinho mais afeito à tecnologia, que separasse a única cena apresentável, como amostra, e mandou para todos os envolvidos.

E isso, alunos queridos, explica como um dos maiores imbecis da história conseguiu ter poder por tanto tempo.

 

A prisão de Bolsonaro foi uma enorme emoção. Uma alegria, ainda que incompleta. Mas e agora? Ficou um vácuo, pois aguardamos seu processo pela pandemia. Enquanto escrevo, Hugo Motta fala à nação esculhambando Glauber Braga, que fez cosplay de direitista e sentou-se em sua cadeira. Ora, o nobre Glauber pensou o seguinte: Motta deixou a direitalha fazer baderna por DOIS DIAS, inclusive acomodando suas nádegas na dita cadeira. Então não teria moral para retirá-lo dali.

Well… O bom Hugo decretou um mini AI-5, retirou a imprensa, esvaziou a casa, interrompeu a transmissão da TV Câmara, e mandou os gorilas tirarem Glauber à força.

Faz nesse momento um belo discurso em defesa da democracia.

Tem hora em que me pergunto: será que Tarcisio tem uma cópia daquele filme que inventei? Só isso explica o fervor com que trabalham para ele. É o queridinho do Mercado e do Centrão, toda essa balbúrdia é por ele (e acrescento que neste exato momento Reinaldo Azevedo diz o mesmo no meu radinho de pilha). Faz uma administração catastrófica, no entanto é dado como grande estadista – e moderado.

No início das escaramuças entre Trump e o Brasil, sugeriu imediatamente que cedêssemos. Um homem de fibra.

 

Mas a notícia do dia é a produção de um filme sobre Bolsonaro! Oficialmente não é uma comédia, apesar do roteiro ser do grande ator Mario Frias. Produção internacional, chamada “Dark Horse” – gíria para “azarão”. Meio epistemológico, já que o apelido do Papai Papuda na Aman era “Cavalão”. O trailer divulgado promete muita diversão, a cena da facada consegue ser mais artificial que a original.

Estava justamente pensando nisso quando encontrei, passeando com seu cachorro, o grande jornalista e escritor Joel Silveira. Ele participou de perto da Segunda Guerra Mundial, precisa ser lido novamente. O sergipano me tratou com carinho, gostando de ser reconhecido. Conversa vai, conversa vem, perguntei o que ele achava do tal filme.

-Bem, é uma coisa confusa: por um lado, está tudo apropriado, especialmente o roteirista. Mas acho que dado o biografado eu preferiria a Leni Riefenstahl.

 

PS: Acho importante dizer que escrevi sobre esta suposta orgia ANTES de saber da história da Festa da Cueca, a qual, se você não conhece, sugiro veementemente procurar saber!

PS2: Glauber ficou!!!!!!!!

PS3: Zambelli também…

 



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Ricardo Dias

Tem formação de Violonista Clássico e é luthier há mais de 30 anos, além de ser escritor, compositor e músico. É moderador do maior fórum de violão clássico em língua portuguesa (violao.org), um dos maiores do mundo no tema e também autor do livro “Sérgio Abreu – uma biografia”.

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