A asfixia financeira no centro do combate às facções – IREE

Análises e Editorial

A asfixia financeira no centro do combate às facções

14 de maio de 2026

A mudança na forma de atuação das facções criminosas, que evoluíram de grupos focados no tráfico de drogas para conglomerados econômicos complexos com infiltração em setores formais da economia, tem exigido novas estratégias de enfrentamento do crime organizado pelo poder público. Nesse cenário, o rastreamento e o bloqueio de fluxos financeiros passam a ganhar centralidade no combate a essas organizações.

O movimento já se reflete em investigações e operações da Polícia Federal, como Carbono Oculto, Quasar e Tanque, que miraram esquemas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e movimentação de recursos ligados principalmente ao PCC. As ações revelaram o uso de empresas e mecanismos inseridos na economia formal para disfarçar e circular dinheiro do crime organizado.

A estratégia de asfixia financeira aparece também como um dos principais eixos do programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado pelo governo federal, que prevê recursos da ordem de R$ 11 bilhões para ações de combate à lavagem de dinheiro, reforço da segurança em presídios, investigação de homicídios e enfrentamento ao tráfico de armas. Entre as medidas previstas estão a criação de novos núcleos de investigação financeira nos estados, a realização periódica de operações integradas e a aquisição de tecnologias capazes de extrair dados de celulares e outros dispositivos utilizados em investigações.

Como atuam as facções ou máfias no Brasil 

Na prática, as facções passaram a operar como estruturas empresariais. Além do controle territorial e das atividades ilícitas tradicionais, essas organizações movimentam grandes volumes de dinheiro, realizam processos de lavagem de recursos, compram influência e buscam ampliar sua presença na economia formal.

Os setores explorados costumam reunir alta circulação de capital e fragilidades de fiscalização. Entre eles estão combustíveis, fintechs e serviços de pagamentos digitais, mercado imobiliário e concessões públicas, como de transporte, áreas em que o volume de transações e a complexidade das operações podem facilitar a ocultação de recursos ilícitos.

Nesse contexto, a chamada “asfixia financeira” busca atingir diretamente a base econômica das facções, bloqueando mecanismos de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e circulação de recursos ilícitos. A lógica é reduzir a capacidade de operação, expansão e sustentação dessas organizações por meio do enfraquecimento de suas estruturas financeiras.

Para que essa estratégia seja efetiva, é necessária coordenação entre governos federal e estaduais, integração entre órgãos de investigação e inteligência financeira e cooperação internacional, já que os fluxos financeiros do crime organizado frequentemente atravessam fronteiras.



Por IREE

Leia também