60 anos do Golpe Militar no Brasil – IREE

Análises e Editorial

60 anos do Golpe Militar no Brasil

Por Juliana Pithon e Samantha Maia

Há 60 anos era dado início à ditadura militar que duraria duas décadas no Brasil. Apesar do dia 31 de março ter ficado marcado como o dia do golpe, registros históricos mostram que foi no dia 1º de abril que o novo regime começou a valer.

A confusão de datas é, em parte, uma tentativa de desassociar do “dia da mentira”. O golpe, no entanto, foi resultado de uma série de movimentos contra o governo de João Goulart, que foram intensificados no dia 31 de março e que resultaram na consolidação da ruptura democrática no dia 1º de abril, quando o Senado declarou a Presidência vaga.

A sociedade brasileira ainda busca caminhos para a preservação da memória e a implementação de políticas de reparação necessárias para uma democracia. Destacamos a seguir algumas informações importantes sobre o período, que durou de 1964 a 1985.

Contexto

O golpe militar de 1964 foi precedido por um clima de instabilidade e o temor de uma guinada à esquerda no Brasil, sob a influência da Guerra Fria.

Em meio a acusações de corrupção e uma crise econômica, o presidente João Goulart foi deposto a partir do movimento de setores mais conservadores, que o acusavam de promover agendas socialistas.

O regime instaurado após o golpe impôs restrições severas às liberdades civis e foi marcado por censura, perseguição política e prática de tortura contra opositores. Além disso, instituições democráticas foram enfraquecidas ou dissolvidas, e atos institucionais garantiram poderes quase absolutos ao governo central.

Projeto econômico

O apoio da elite empresarial foi importante para a consolidação do regime e a implantação de um novo projeto econômico com forte influência do capital internacional.

Dentre as características desse projeto estavam a abertura econômica, empréstimos internacionais, o incentivo à industrialização e a aposta em grandes obras de infraestrutura.

Apesar de ser lembrado pelo milagre econômico, por conta do crescimento do PIB de cerca de 10% ao ano de 1968 a 1974, o período militar foi marcado pelo aumento do endividamento público e da desigualdade social.

O salário mínimo, por exemplo, sofreu uma redução de 50% em valores reais entre 1964 e 1985 e a desigualdade cresceu. O índice de Gini, que quantifica a desigualdade de renda, aumentou de 0,54 em 1960 para 0,63 em 1977.

A dívida pública saltou de 15,7% do PIB em 1964 para 54% do PIB em 1984, e a dívida externa explodiu de US$ 3,1 bilhões para US$ 95,8 bilhões entre 1964 e 1985.

Já a inflação, que no início caiu de 92,1% em 1964 para 15,5% em 1973, voltou a subir com força para 215,3% em 1984, o que deixou uma herança de hiperinflação a ser resolvida na redemocratização.

Lei da Anistia e memória

Em 1979, ainda durante a Ditadura Militar, foi decretada a Lei da Anistia, que permitiu o retorno de exilados e a libertação de presos políticos. Ao mesmo tempo que buscou promover uma conciliação, não fez justiça às vítimas da ditadura e garantiu a impunidade sobre as violações de direitos humanos no período autoritário.

Seis décadas após o golpe militar, é imperativo que o Brasil continue a enfrentar os rastros da ditadura em busca da verdade e da reparação. O resgate da memória e a responsabilização dos crimes da ditadura são processos importantes para se construir um país mais justo e democrático.



Por Juliana Pithon

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