25 anos sem Baden Powell – IREE

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25 anos sem Baden Powell

30 de setembro de 2025

Diego Jandira

Diego Jandira
Violonista e Cientista Social



Quando lemos livros sobre os grandes cânones da arte musical nesse chão de terra chamado Brasil, somos, como que por instinto, conduzidos a buscar seus segredos e a nos perguntar o que faz aquela pessoa ser o que é.

Nascido em 1937, no Rio de Janeiro, no município de Varre-Sai, Baden Powell de Aquino recebeu seu nome em homenagem a um escritor e militar britânico, Robert Baden-Powell, fundador do movimento de escotismo em 1907. Seu pai, Lilo de Aquino, admirador do escoteiro inglês, era também um exímio instrumentista amador e foi quem lhe ensinou os primeiros acordes, ou melhor, os primeiros passos nessa longa estrada na qual figura o violão brasileiro e na qual Baden deixaria seu nome gravado para sempre.

 

 

Por intermédio de seu pai, foi discípulo do lendário violonista e compositor pernambucano Jayme Florence. Radicado no Rio de Janeiro, o Meira, como ficou conhecido, era requisitado para compor os mais importantes conjuntos musicais da época, como o Voz do Sertão, do bandolinista Luperce Miranda, e o regional do flautista Benedito Lacerda. Sem contar as inúmeras gravações e acompanhamentos de artistas como Elizeth Cardoso, Noel Rosa, Nana Caymmi, Elza Soares e outros.

Na casa de Meira, junto a uma grande roda composta pelos maiores instrumentistas da época, Baden era exposto ao enorme desafio de “correr atrás” das harmonias em um tempo em que nem se imaginava todo o negócio das cifras para violão. Era preciso aprender a difícil tarefa de montar o cavalo durante a cavalgada, nesse caso, treinar o ouvido e acompanhar os mestres do choro enquanto aprendia.

O embrião da música brasileira está nos terreiros e nas rodas de capoeira. Baden, “retornando às raízes”, seria transformado no seu encontro com o universo de Clementina, Olga de Alaketu, Donga, Bimba e mestre Canjiquinha, com quem teve intensa convivência na Bahia, e que seria um dos responsáveis por fazer com que o nosso violonista incorporasse para sempre, no seu modo de fazer música, os elementos da cultura afro-brasileira.

Quando trocou a passagem de sua apresentação com a turma da Bossa Nova no Carnegie Hall por Paris, em 1962, Baden Powell abriu um caminho importante para o sucesso da música feita ao violão no Brasil em terras da Europa. Lá, encantou a maneira impressionante como suas criações, influenciadas por Pixinguinha, João Pernambuco, Garoto, Tárrega, Tom Jobim e os grandes mestres e mestras do choro e do samba do passado, tornavam-se contemporâneas.

Os seus estudos (feitos compulsivamente), suas relações pessoais, seus generosos conselhos e o acolhimento a nomes que se tornariam grandes artistas do Brasil, como Egberto Gismonti e Gilberto Gil, mostram que essa marca de personalidade, impressa em todas as fases de suas composições, reascende a música de Baden Powell como vivência basilar para os ouvidos de quem sabe buscar na arte uma atualidade tão maior quanto a de seu próprio tempo.



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Diego Jandira

É músico violonista, colunista, cientista social graduado pela Unifesp e pesquisador musical no projeto Violão Negro Brasileiro.

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