29 de setembro de 2025
Por Samantha Maia e Gabriela Farias
O Acordo de Paris, um dos principais pactos globais para enfrentar a crise climática, completa 10 anos em 2025. Ao assinar o tratado na COP21, realizada na capital francesa em 2015, 195 países se comprometeram a realizar esforços para impedir que a temperatura média global se eleve para acima de 1,5ºC dos níveis pré-industriais. Naquele momento, o planeta caminhava para um aquecimento de até 4,8 °C ainda neste século, um cenário catastrófico que colocaria em risco a sobrevivência de muitas espécies, incluindo a humana.
Para alcançar os objetivos do Acordo de Paris, as nações precisam detalhar planos de longo prazo para diminuir as emissões de gases de efeito estufa em documentos chamados NDCs (sigla em inglês para contribuições nacionalmente determinadas). O tratado fortaleceu a inclusão da questão climática nas políticas públicas, estimulou o setor privado a considerar riscos climáticos nas decisões de negócios e impulsionou investimentos em energias renováveis e tecnologias de transição energética.
A execução do tratado, porém, avança mais devagar do que o necessário. Segundo o Relatório de Lacuna de Emissões da ONU 2024, o mundo caminha para um aumento da temperatura global entre 2,6ºC e 2,8ºC até o final do século. As NDCs precisam ser atualizadas a cada 5 anos, e há uma expectativa de que os países apresentem metas mais ousadas na nova versão a ser apresentada neste ano. Até o momento, porém, apenas 47 países apresentaram suas NDCs, segundo informações divulgação pelo Itamaraty durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York de 9 a 23 de setembro de 2025. O Brasil foi o segundo país a apresentar sua nova NDC, com a meta de reduzir as emissões de todos os gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035.
No dia 24 de setembro, na cúpula de líderes sobre clima organizada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede da organização, em Nova York, o presidente chinês, Xi Jinping, anunciou por videoconferência a nova meta climática da China: reduzir entre 7% e 10% as emissões em relação ao pico até 2035. A meta do maior emissor mundial era uma das mais aguardadas do evento. Embora considerada tímida diante da urgência da crise ambiental, o anúncio foi visto como um passo importante para reafirmar o compromisso climático do governo chinês, que também afirmou que o país deve aumentar a proporção de combustíveis renováveis na sua matriz energética de 10% para 30% na próxima década e expandir a capacidade eólica e solar em seis vezes em relação aos níveis de 2020.
Os Estados Unidos, segundo maior emissor, anunciaram em janeiro deste ano a sua saída do Acordo de Paris, juntando-se aos poucos países não signatários: Iêmen, Irã, Líbia e Eritreia. O anúncio ocorreu meses depois de o governo de Joe Biden ter apresentado a meta de reduzir a poluição climática em até 66% abaixo dos níveis de 2005 até 2035. Esta é a segunda vez que o país deixa o acordo. A outra foi em 2017, no primeiro governo de Donald Trump.
A COP da implementação
Para a COP30, que será realizada em novembro deste ano em Belém (PA), a expectativa é de que seja possível avançar em esforços efetivos contra as mudanças climáticas, de forma a acelerar a implementação do Acordo de Paris. Entre os principais temas para o encontro estão a revisão das NDCs, a transição energética para combustíveis menos poluentes e a efetivação do financiamento climático.
“Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado. A COP30, em Belém, no Brasil, será a COP da verdade. Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta” , disse o presidente do Brasil, Lula da Silva, em discurso na 80ª Assembleia Geral da ONU.
Por Samantha Maia
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